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    sexta-feira, 25 de setembro de 2009

    AMIGOS PARA SEMPRE *

    A filosofia, cuja etimologia implica a palavra grega Philia que significa amizade, nasceu da amizade entre os homens que, por sua vez, tinham amizade pela sabedoria. Como o amor, a amizade é uma espécie de desejo, mas um desejo diferente da posse. Quando os filósofos falam da amizade entre seres humanos estão dizendo algo muito parecido ao “desejo de saber”, literalmente melhor traduzido por “amizade pela sabedoria” que anima sua atividade. Amigos não eram aqueles que se reuniam em torno da economia, nem em torno da cosmética, da ginástica, nem em torno da culinária ou da retórica. Que laço era este que unia alguns entre si em nome de algo tão complexo como a sabedoria? Qual a forma da relação a que chamamos até hoje amizade se ela é um desejo sem posse? Quando amamos alguém desejando seu bem sem que este seja o nosso próprio bem?

    PESSOAS DE BEM

    Sócrates defendia que a amizade só acontecia entre pessoas de bem não ocorrendo entre pessoas más e incapazes de amar o outro. Para seguir este raciocínio socrático precisamos nos perguntar se nos encaixamos na definição de uma “pessoa de bem”. Pensava ele que as pessoas totalmente de bem são auto-suficientes, não se pode dizer delas que “precisem” de amigos. Mas todos precisamos e, somos apenas humanos, não somos deuses auto-suficientes. Por isso, concluirá Sócrates no diálogo Lísis de Platão, que para se ter amigos é preciso ser alguém que sabe o que é o mal, mas deseja o bem. Desejar o bem (a alguém ou à sabedoria) é a definição mais perfeita da amizade. Amigo é, portanto, aquela pessoa na qual se acredita que os bens parciais da vida podem se agregar na realização do Bem - com letra maiúscula - que equivalia ao Bem superior, uma espécie de Bem Geral, Bem de todos, para todos, em relação a tudo o que existe. Como se fosse possível falar de um Bem do Cosmos, uma harmonia total no universo que, mesmo sendo uma utopia, é a idéia que deveria nortear as ações das pessoas de bem.


    A AMIZADE É UMA VIRTUDE


    Aristóteles, discípulo de Platão, herdou questões de seus antecessores. Para Aristóteles, a amizade é uma virtude. Sendo virtude ela significa a excelência de algo. O modo mais perfeito em que algo como a relação entre seres humanos pode se dar. Ela é, além disso, o objetivo último da vida moral, aquilo que define o ápice de uma vida corretamente vivida. Saber ser amigo equivale a ser ético. É amigo aquele que realiza em si e junto dos outros a excelência moral, ou seja, ele quer o bem das pessoas que ama.

    Como virtude, para Aristóteles, a amizade é tanto necessária quanto desejável. Diz ele em seu principal livro sobre as questões morais - a Ética a Nicômaco - que, mesmo alguém que possuísse todos os bens, não gostaria de viver sem amigos. A amizade será até mesmo superior à justiça: quando as pessoas são amigas não é necessária a justiça, mas havendo a justiça ainda precisaremos da amizade.

    Aristóteles fala de formas diferentes de amizades: a acidental comum entre idosos e jovens que precisam de amigos úteis que facilitem pensamentos, ações e os apóiem em suas fragilidades, e da amizade perfeita que é aquela que une os homens de bem e que são semelhantes em suas virtudes. A amizade perfeita é rara e incomum, tanto quanto é raro e incomum. Há certa exclusividade na amizade. Quem leva a sério a amizade costuma dizer que tem poucos amigos. O que não quer dizer que não se possa agradar muitos, ao mesmo tempo, oferecendo-lhes bens e vantagens ou simplesmente coisas úteis e agradáveis. Um amigo verdadeiro merece mais que isso.
    QUERER BEM É SER RESPONSÁVEL PELO OUTRO
    A amizade é uma palavra que se aplica às pessoas das quais se quer o bem enquanto delas pode-se esperar certa reciprocidade. Amigo é aquele que desejamos ver feliz e que quer nos ver do mesmo modo. Muitas pessoas demonstram não ser amigas tanto nos momentos difíceis quanto nos momentos alegres da vida de seus conhecidos. Para ser amigo é preciso alegrar-se com a alegria de outro e ajudá-lo em suas tristezas. Diz Aristóteles que “quando há reciprocidade, a boa intenção é a amizade”. Levando em conta que a amizade é um sentimento que obedece aos limites dos laços humanos, ela exige sempre reciprocidade. Não é, neste caso, apenas um sentimento, mas uma construção de laço com o que há de responsabilidade para sua sustentação. O laço que os une é o desejo do bem. Neste caso ela não é um simples sentimento, mas um sentimento complexo que envolve uma noção de liberdade do outro a ser preservada.

    Amizade é, sobretudo, desejar o bem de quem se ama, não desejar seus bens, nem proveitos, nem os prazeres que advém de seus bens. Não há amizade que se sustente por interesses, nem pelo status de se ter muitos amigos. Amigo é quem tem que valer por ele mesmo, pelo que é, e não pelo que possui em termos materiais ou pragmáticos. O amigo, como pessoa, não pode ser um meio pelo qual se pode alcançar um outro fim, mas deve ser um fim ele mesmo, o objetivo da amizade.


    A amizade não pode ser uma máscara. Por isso, sua noção envolve sempre a verdade da relação para que seja algo excelente. Só é amizade se for verdadeira. Descobrir que um amigo não era verdadeiramente amigo é uma dor que pode ser maior que a perda de um amor. A um amigo, não basta, ser agradável ou útil, mas ter caráter. Nele não está em jogo a paixão que nos torna cegos e, por isso, por ser a amizade uma escolha com forte carga de racionalidade e consciência, sofremos tanto quando somos enganados. A rigor, podíamos ver e saber tudo e nos percebemos traídos por nós mesmos.

    Publicado na Revista Vida Simples. Novembro de 2006. Ed. 47. P. 54-55

    quinta-feira, 24 de setembro de 2009

    O amor entre pais e filhos

    CONTARDO CALLIGARIS

    O amor entre pais e filhos


    Não é algo "natural"; como outros amores, tem razões para surgir, acabar ou se tornar ódio


    DOIS PROJETOS de lei se propõem a legislar em matéria de amor entre pais e filhos (conforme reportagem de Johanna Nublat, na Folha de 20/9). Ambos se baseiam na premissa de que, entre pais e filhos, há obrigações não só materiais, mas também afetivas.
    Pelo projeto (4.294/08) do deputado Carlos Bezerra (PMDB-MT), os pais devem aos filhos menores a presença e o amor que são indispensáveis para que os jovens vinguem sem carências e feridas que nunca cicatrizariam direito. Reciprocamente, os filhos devem aos pais idosos a presença e o amor sem os quais a vida, na velhice, poderia perder seu sentido.
    Concordo: para ser "bom pai" não basta pagar mesada ou pensão, e, para ser "bom filho", não basta pagar o salário de quem faz companhia à velha mãe ou ao velho pai.
    O projeto do deputado Bezerra institui o princípio de uma indenização por dano moral, que poderia ser exigida por pais e filhos que tenham sido abandonados afetivamente. Curiosamente, volta-se ao mesmo lugar de onde se queria fugir: "Você pensou que era suficiente pagar? Acha que não me devia também afeto, atenção, cuidados?
    Pois bem, pague mais".
    Fora esse paradoxo, a dificuldade está na avaliação do que constitui "abandono" afetivo.
    Em sua maioria, os neuróticos (ou seja, a gente), mesmo quando conheceram os cuidados assíduos de pai, mãe, avós etc., queixam-se de uma falta de amor invalidante, que os teria deixado para sempre carentes, tristes e inseguros.
    Inversamente, numa veia humorística, conheço adultos que, para evitar o almoço de domingo na casa da mãe, pagariam antecipadamente uma indenização. "Mãe, a gente não vai, mas mando os R$ 300 da multa, tudo bem?". A um preço módico, eles protegeriam assim seu casamento dos venenosos comentários maternos sobre as insuficiências da nora.
    O outro projeto de lei (700/07), do senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), trata só do abandono afetivo das crianças e quer que, aos filhos menores, seja garantida a "assistência moral", que inclui "a orientação quanto às principais escolhas e oportunidades profissionais, educacionais e culturais" e "solidariedade e apoio nos momentos de intenso sofrimento ou dificuldade". Esse projeto não propõe apenas indenizações financeiras para quem foi abandonado, mas transforma o "abandono" num crime, punível com a detenção, de um a seis meses.
    De novo, concordo com a "justificação" do projeto: "A pensão alimentícia não esgota os deveres dos pais em relação a seus filhos [...]. Os pais têm o DEVER [sic] de acompanhar a formação dos filhos, orientá-los nos momentos mais importantes, prestar-lhes solidariedade e apoio nas situações de sofrimento e, na medida do possível, fazerem-se presentes quando o menor reclama espontaneamente a sua companhia".
    Mas o que dizer sobre os pais dos filhos que saqueiam a casa para comprar drogas? Se eles expulsarem os filhos, irão presos?
    E imaginemos uma situação nem tão rara: a de um pai que, um dia, aprende que o filho ou a filha é homossexual, não entende, não aceita e se fecha no mutismo como se quisesse se esquecer da própria existência do filho ou da filha. Esse pai iria preso? Não seria melhor que ele encontrasse um profissional com quem conversar? E, se for aprovado o projeto do deputado Bezerra, o filho que não cuidasse desse tipo de pai na velhice deveria uma indenização ao genitor?
    Considerando os dois projetos, a impressão com a qual fico é que a tentação de transformar em norma legal o que seria uma relação minimamente "certa" entre pais e filhos é também (se não sobretudo) uma maneira de negar a seguinte realidade, que é incômoda e que nos choca: contrariamente ao que gostaríamos de acreditar, o amor entre pais e filhos não é incondicional, mas é parecido com os outros amores de nossa vida, tem razões para surgir, para acabar ou mesmo para se tornar ódio.
    Filhos e pais não se amam "naturalmente". Claro, a extrema dependência nos primeiros anos da vida humana parece impor o amor entre filhos e pais. E, por exemplo, a mortalidade dos pais faz com que os filhos lhes apareçam, na velhice, como única justificativa de sua vida. Mas essas são apenas circunstâncias que instituem, em nossa cultura, a ilusão de que o amor recíproco entre pais e filhos seja "natural".
    Não é assim. O amor entre pais e filhos não é garantido, nem por lei; de ambos os lado, ele pode ser, isso sim, conquistado e merecido.
    Ou não.

    terça-feira, 15 de setembro de 2009

    Perfil no Orkut até 13.09.2009

    Há mais morbidez e melancolia em mim do que eu ou você gostaria...

    Com o devido perdão: DANE-SE quem estiver pensando que o meu propósito é o de chamar a atenção. Continuo escrevendo entre bytes e bits como o fazia muitos anos atrás em folhas de papel para não me deixar sufocar pelos sentimentos, colocando-os de alguma forma para fora. Em segundo lugar, é sim uma forma de dar alguma satisfação aos que gostam de mim e tanto clamam por saber o que se passa comigo... Se não é o que eu ou você gostaria que fosse, paciência!

    FAÇAM DE CONTA QUE MEU PARADEIRO É DESCONHECIDO ATÉ JANEIRO DE 2010!! CONTO COM A COMPREENSÃO, COLABORAÇÃO E RESPEITO DE TODOS! POR FAVOR, NÃO ME CHAMEM PARA SAIR, NÃO INSISTAM, NÃO RECLAMEM DE MINHA AUSÊNCIA, NÃO RECLAMEM DE QUE ESTOU AINDA MAIS INCOMUNICÁVEL, NÃO ME PEÇAM PARA EXPLICAR... APENAS ACEITEM, RESPEITEM E ME AJUDEM NESTA EMPREITADA. LEMBREM-SE DE QUE O VERDADEIRO AMOR DÁ EM VEZ DE PEDIR, DEIXA IR EM VEZ DE PEDIR QUE SE FIQUE. NO RITMO EM QUE A VIDA GIRA HOJE, PASSARÁ RAPIDINHO, RAPIDINHO E MUITOS NEM SENTIRÃO! ATÉ LÁ, PRATICAMENTE SÓ SEREI ENCONTRADO PELAS DEPENDÊNCIAS DA UNICAP E DO FORUM DO RECIFE. ABRAÇOS APERTADOS E BEIJOS NOS CORAÇÕES!

    sexta-feira, 4 de setembro de 2009

    se amanhã fosse o dia...

    Se alguém, agora, nesta noite, me dissesse que amanhã seria o dia em que eu não acordaria, não me despediria de ninguém [já que não daria para me despedir de todos e não gostaria de ver lágrimas nem sentir dos e nos outros a saudade antecipada...]. Deitar-me-ia em minha cama, pousaria minha cabeça em meu travesseiro e teria um dos sonos mais tranquilos e reconfortantes de minha vida. O sono, não leve, mas com a leveza do desprendimento total...

    domingo, 9 de agosto de 2009

    ODE AO GATO [ ARTUR DA TÁVOLA]

    Bichos polêmicos sem o querer, porque sábios, mas inquietantes, talvez por isso...

    Nada é mais incômodo que o silencioso bastar-se dos gatos...

    O só pedir a quem amam. O só amar a quem os merece.

    O homem quer o bicho espojado, submisso, cheio de súplica, temor, reverência, obediência...

    O gato não satisfaz às necessidades doentias do amor. Só às saudáveis.

    Lembrei, então, de dizer, dos gatos, o que a observação de alguns anos me deu. Quem sabe, talvez, ocorra o milagre de iluminar um coração a eles fechado? Quem sabe, entendendo-os melhor, estabeleça-se um grau de compreensão, uma possibilidade de luz e vida onde há ódio e temor? Quem sabe São Francisco de Assis não está por trás do Mago Merlin, soprando-me o artigo?

    Já viu gato amestrado, de chapeuzinho ridículo, obedecendo às ordens de um pilantra que vive às custas dele? Não! Até o bondoso elefante veste saiote e dança a valsa no circo. O leal cachorro no fundo compreende as agruras do dono e faz a gentileza de ganhar a vida por ele. O leão e o tigre se amesquinham na jaula. Gato não. Ele só aceita uma relação de independência e afeto. E como não cede ao homem, mesmo quando dele dependente, é chamado de arrogante, egoísta, safado, espertalhão ou falso. "Falso", porque não aceita a nossa falsidade com ele e só admite afeto com troca e respeito pela individualidade. O gato não gosta de alguém porque precisa gostar para se sentir melhor. Ele gosta pelo amor que lhe é próprio, que é dele e ele o dá se quiser.

    O gato devolve ao homem a exata medida da relação que dele parte...

    Sábio, é espelho. O gato é zen. O gato é Tao. Ele conhece o segredo da não-ação que não é inação. Nada pede a quem não o quer.

    Exigente com quem ama, mas só depois de muito certificar-se. Não pede amor, mas se lhe dá, então ele exige.

    Sim, o gato não pede amor. Nem depende dele. Mas, quando o sente, é capaz de amar muito.

    Discretamente, porém sem derramar-se. O gato é um italiano educado na Inglaterra. Sente como um italiano mas se comporta como um lorde inglês...

    Quem não se relaciona bem com o próprio inconsciente não transa o gato. Ele aparece, então, como ameaça, porque representa essa relação precária do homem com o (próprio) mistério. O gato não se relaciona com a aparência do homem. Ele vê além, por dentro e pelo avesso. Relaciona-se com a essência. Se o gesto de carinho é medroso ou substitui inaceitáveis (mas existentes) impulsos secretos de agressão, o gato sabe. E se defende do afago. A relação dele é com o que está oculto, guardado e nem nós queremos, sabemos ou podemos ver. Por isso, quando surge nele um ato de entrega, de subida no colo ou manifestação de afeto, é algo muito verdadeiro, que não pode ser desdenhado. É um gesto de confiança que honra quem o recebe, pois significa um julgamento.

    O homem não sabe ver o gato, mas o gato sabe ver o homem. Se há desarmonia real ou latente, o gato sente. Se há solidão, ele sabe e atenua como pode (ele que enfrenta a própria solidão de maneira muito mais valente que nós). Se há pessoas agressivas em torno ou carregadas de maus fluidos, ele se afasta. Nada diz, não reclama. Afasta-se. Quem não o sabe "ler" pensa que "ele não está ali". Presente ou ausente, ele ensina e manifesta algo. Perto ou longe, olhando ou fingindo não ver, ele está comunicando códigos que nem sempre (ou quase nunca) sabemos traduzir.

    O gato vê mais e vê dentro e além de nós. Relaciona-se com fluidos, auras, fantasmas amigos e opressores. O gato é médium, bruxo, alquimista e parapsicólogo. É uma chance de meditação permanente a nosso lado, a ensinar paciência, atenção, silêncio e mistério. O gato é um monge portátil à disposição de quem o saiba perceber. Monge, sim, refinado, silencioso, meditativo e sábio monge, a nos devolver as perguntas medrosas esperando que encontremos o caminho na sua busca, em vez de o querer preparado, já conhecido e trilhado. O gato sempre responde com uma nova questão, remetendo-nos à pesquisa permanente do real, à busca incessante, à certeza de que cada segundo contém a possibilidade de criatividade e de novas inter-relações, infinitas, entre as coisas.

    O gato é uma lição diária de afeto verdadeiro e fiel. Suas manifestações são íntimas e profundas. Exigem recolhimento, entrega, atenção. Desatentos não agradam os gatos. Bulhosos os irritam. Tudo o que precise de promoção ou explicação, quer afirmação. Vive do verdadeiro e não se ilude com aparências. Ninguém em toda natureza aprendeu a bastar-se (até na higiene) a si mesmo como o gato!

    Lição de sono e de musculação, o gato nos ensina todas as posições de respiração ioga. Ensina a dormir com entrega total e diluição recuperante no Cosmos. Ensina a espreguiçar-se com a massagem mais completa em todos os músculos, preparando-os para a ação imediata - se os preparadores físicos aprendessem o aquecimento do gato, os jogadores reservas não levariam tanto tempo (quase 15 minutos) se aquecendo para entrar em campo... - O gato sai do sono para o máximo de ação, tensão e elasticidade num segundo. Conhece o desempenho preciso e milimétrico de cada parte do seu corpo, a qual ama e preserva como a um templo.

    Lição de saúde sexual e sensualidade. Lição de envolvimento amoroso com dedicação integral de vários dias. Lição de organização familiar e de definição de espaço próprio e território pessoal. Lição de anatomia, equilíbrio, desempenho muscular. Lição de salto. Lição de silêncio. Lição de descanso. Lição de introversão. Lição de contato com o mistério, com o escuro, com a sombra. Lição de religiosidade sem ícones. Lição de alimentação e requinte. Lição de bom gosto e senso de oportunidade. Lição de vida, enfim, a mais completa, diária, silenciosa, educada, sem cobranças, sem veemências, sem exigências.

    O gato é uma chance de interiorização e sabedoria posta pelo mistério a disposição do homem."

    sexta-feira, 31 de julho de 2009

    Ao PATRIARCA de todos os CONTADORES DE HISTÓRIAS

    ê velho Décio! Hoje faz dez anos que você se ausentou da vida para se fazer sempre presente nos pensamentos...

    Ao PATRIARCA de todos os CONTADORES DE HISTÓRIAS:

    "QUEM SAI, AOS SEUS NÃO DEGENERA..."

    Desculpe-me pelas lágrimas, vô... são lembranças liquefeitas [NÃO, nem NUNCA, rarefeitas...] de todos os momentos que vivemos juntos... Uma miríade de imagens, sons, cheiros, pensamentos, se 'sucedendo sucessivamente sem cessar'...

    Você não precisou de Igreja, altar, padre, bíblia ou meirinho para me ensinar como ser um bom cristão [mesmo eu muitas vezes contestando a cristandade e, outras tantas, até o próprio Cristo]. Pois você foi capaz de fazer da vida o maior dos templos e dos seus atos a maior de todas as liturgias das quais eu poderia um dia imaginar participar... A simplicidade, o respeito ao próximo, o valor do ser-humano por aquilo que ele se torna e não pelo que possui, o não esbanjar para não ofender nem provocar a inveja alheia, o olhar nos olhos de com quem se fala, a importância do cumprimentar e do agradecer a quem nos serve...

    Obrigado, vô! As pessoas continuam a me elogiar, infelizmente, sem ter conhecido
    todos aqueles que contribuiram para a confecção do molde e da forja onde o ferro ainda em brasa foi moldado... ;-)

    "seu nego" [31.07.2009]

    das músicas que seu filho compôs, a predileta:

    ANUNCIAÇÃO

    Na bruma leve das paixões que vêm de dentro
    Tu vens chegando pra brincar no meu quintal
    No teu cavalo peito nu cabelo ao vento
    E o sol quarando nossas roupas no varal

    Tu vens, tu vens
    Eu já escuto os teus sinais

    A voz do anjo sussurrou no meu ouvido
    E eu não duvido já escuto os teus sinais
    Que tu virias numa manhã de domingo
    Eu te anuncio nos sinos das catedrais

    **************************

    E subíamos a Serra da Onça - onde onças já não havia mais - e, lá no alto, sentávamos num tronco caído para recuperarmos o fôlego. Eu, então, ouvia-o dizer:

    - ô Aéééécio...

    ou

    - ôôô Deciiiiinho...

    E se retomava a prosa sobre as cercas que haviam de ser consertadas ou sobre o pasto que havia de ser reservado para o verão ou onde haveria de pastar o "gado solteiro"...

    Então, descíamos pelo Azevém, passávamos pela Lagoa do Caracol, cruzávamos a cerca passando por entre os arames farpados e caminhávamos pela estrada de terra batida até a lagoa da Imburana... Mas tudo - as veredas, as estradas, os pássaros e outros bichos, os serviços feitos ou por fazer, os conhecidos ou os desconhecidos com quem nos deparávamos nessas andanças, tudo enfim... - era apenas mote para as conversas onde surgiam e ressurgiam velhas e novas histórias e se falava desde a família e dos últimos acontecimentos "sãobentenses" à política e economia nacional ou global... Não havia tema específico... As conversas tinham começo, mas nunca um final. A maioria terminava em suspenso, pelo início da mais recente, cujo mote poderia ter sido não mais que o bater das asas de uma jaçanã, ou o canto de um concriz, ou um pé de pau-ferro que apareceu após uma curva, ou uma revoada de tanajuras ou...

    De um pensamento a outro de forma lúdica e, aparentemente, aleatória, como as coisas costumam acontecer na Natureza... Apenas aparentemente, pois é possível tracejar uma linha imaginária ligando todos os pensamentos transmutados em conversas... Não há nada - ABSOLUTAMENTE NADA - desconexo. O que há - o que pode haver - é a superficialidade advinda da incapacidade ou do desinteresse em se buscar as conexões... Às vezes é trabalhoso - talvez na maioria das vezes. Outras tantas pode se tornar enfadonho. Todavia, o mínimo que pode ser dito do que encontramos quando nos lançamos a tal feito é: CURIOSO!

    AGORA, só queria um pé de capim de raiz por perto, para poder puxar-lhe o talo do pendão que lhe sustenta as sementes... Pô-lo-ia, então, na boca e mascá-lo-ia, SENTINDO o SABOR de MATO das seivas bruta e elaborada se misturando à minha saliva...

    E, sentindo esse sabor, sentar-me-ia numa pedra qualquer, no calor desta hora da tarde em que, sabiamente os animais se entregam à sonolência enquanto as plantas deixam suas folhas farfalharem livremente ao mormaço que a brisa leva e traz, ou acocorar-me-ia sobre meus tornozelos e rabiscaria alguns desenhos quaisquer na poeira fina da terra próxima ao curral, curtida diariamente pelos cascos da vacaria a cada ida e vinda para que os homens lhes ordenhassem as tetas...


    sexta-feira, 24 de julho de 2009

    A PERGUNTA QUE NÃO CALA...

    A Pergunta do Século

    Essa pergunta foi a vencedora em um congresso sobre vida sustentável.


    "Todo mundo 'pensando' em deixar um planeta melhor para nossos filhos... Quando é que 'pensarão' em deixar filhos melhores para o nosso planeta?"

    Passe adiante!

    Precisamos começar JÁ!

    Uma criança que aprende o respeito e a honra dentro de casa e recebe o exemplo vindo de seus pais ,torna-se um adulto comprometido em todos os aspectos, aí incluído o respeito pelo planeta onde vive.